Pluto – Review (Volume 1)

“Na antiga mitologia Europeia, o Deus da Morte tinha chifres, na Inglaterra… o caçador Herne, que levava as almas dos guerreiros, era chamado de “Rei dos Chifres”, na mitologia Grega, o Deus do submundo era Hades, e, na Romana, o Deus dos mortos era… Pluto.”

Um dia, Naoki Urasawa teve uma boa ideia. E se ele pegasse uma das obras mais importantes de Osamu Tezuka e recriasse da sua forma? A ideia foi ouvida e assim nasceu Pluto. Em um fruto da parceria de Urasawa, Takashi Nagazaki e supervisão de Macoto Tezka (filho mais velho de Tezuka), o arco “O Maior Robô da Terra” da série original “Astro Boy”, teve suas estruturas alteradas e apresentadas ao bom estilo misterioso e carregado de identidade do mestre Urasawa. E assim em 2003 nasceu Pluto, e apresentou sobre um novo prisma outra abordagem sobre a obra já consolidada.

O que é Pluto?

Além de ser uma adaptação de “Astro Boy” ou “Atom” no original, a obra traz consigo diversas discussões que Urasawa sempre nos apresenta em sua obra. Os relacionamentos humanos (e aqui robóticos?) são os pontos alto do primeiro volume que inicia com a morte de Montblanc, uma personalidade robótica que todos adoravam. A morte choca a população em geral, mas choca mais ainda os investigadores envolvidos, afinal, Montblanc era um poderoso robô que chegou a atuar na 39ª guerra da Ásia Central. Em paralelo, um humano também é assassinado e o nosso personagem principal, Gesicht entra em cena para resolver o crime, tudo fica muito estranho ao ser cogitado que um humano foi morto por um robô.

Muitos autores se baseiam nas leis das Robóticas criadas por Isaac Asimov, e não é diferente aqui, abaixo as três leis para que a obra fique mais simples de entender, e porquê o choque dos personagens.

  1. Um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal;
  2. Os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei;
  3. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.

Partindo das leis, um robô atacar um humano só poderia significar mal funcionamento. Ou alguma intervenção humana.

 

O universo de Pluto

Assim como dezenas de mangás que alteram a estrutura do universo que conhecemos, Pluto é uma acentuação máxima de tecnologia futura, onde humanos e robôs vivem tranquilamente juntos. Alguns robôs são como conhecemos, você consegue identificá-los apenas no olhar, mas muitos como o próprio Gesicht são praticamente seres humanos, tendo até mesmo família e trabalhando.

A carga do drama é sempre muito bem imposta por Urasawa que cria toda intimidade dos personagens antes de destruí-los sem nenhuma pena. Personagens que possuem um carisma absurdo e nos fazem sempre pensar diante de seus atos. É interessante ver que o autor continua melhorando sua forma de criar o mistério, que sim, é parecido com o de suas obras, mas por estar em uma forma mais compacta, eles acabam trazendo as respostas de forma mais rápida e não deixa muito espaço para cair no esquecimento. Estes personagens ficam cada vez mais interessantes como é o caso do sinistro robô Brau 1589. Com suas características sempre sarcásticas e com um histórico de violência, ele é um dos personagens centrais da obra, e nos mostra sempre uma realidade diferente do que Gesicht pode ver, todas essas cenas são muito parecidas com as relações que Clarice tem com Lecter em “The Silence of the Lambs” onde um antagonista do passado auxilia a captura do novo.

 

É extremamente normal você criar o apego emocional aos personagens de Urasawa, sejam eles robôs ou humanos.

O Mangá, vale a pena?

A obra traz várias características que o autor já aplicou nas anteriores criadas (Monster, 20th Century Boys também publicados pela Panini no Brasil) o drama e mistério estão em todo o tempo que a história é contada, os personagens cativantes que acabam passando rapidamente pela obra também como North No. 2! e Duncan, onde uma boa parte dramática desse volume se instaura.

Considrero Pluto a melhor obra de Urasawa, justamente por ele ter menos volume, não ser alongado ao extremo e levar ao leitor apenas 65 capítulos. Isso dá um tempo razoável para desenvolver, apresentar e destacar os personagens principais, então, respondendo ao tópico Pluto vale muito a pena para quem gosta de uma história bem feita de Mistério, Drama e muitas ideias boas.

Além disso, as referências as próprias obras de Urasawa e a diversos outros autores em cada página é um prato cheio e saboroso para qualquer fã.

A Versão Nacional

O mangá saiu no final de 2017 pela editora Panini, e será lançado em 8 volumes no valor de 18,90 cada um. O Primeiro volume conta com 200 páginas e possuem orelhas, o papel é o Offset e conta com páginas coloridas.  Particularmente pelo material achei um bom valor, e lembrando que as compras nas megastores sempre oferecem um bom desconto.

Você pode adquirir o mangá nas lojas abaixo:

Amazon

Cia dos Livros

 

Considerações

Como disse acima, considero Pluto a melhor obra do Urasawa, e não só isso, Pluto também para mim é uma das melhores obras em atuação hoje no Brasil, se você gosta de se emocionar lendo, com certeza é um mangá para você. Ele é um mangá feito bem para pensarmos sobre os relacionamentos humanos e pensarmos como seria este mundo apoteótico onde os robôs estão a nossa volta todo tempo.
O Brasil estava muito carente de obras voltadas ao Sci-Fi e ano passado foi um grande ano para esta evolução. Pluto está entre as primeiras obras quando lembro de mangás deste gênero.

 

 

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